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Gestão ou Controle Familiar?

Trocando ideias com famílias empresárias sempre paira um certo ar de espanto quando a conversa recai sobre grandes corporações, muitas delas famosas multinacionais, que são de controle familiar.  Para meus interlocutores é nítido e certo que uma empresa familiar precisa ser administrada por membros da família. A família precisa estar na gestão! Mas isso não é bem assim.

Quando a empresa dá os primeiros passos, o fundador irá em geral buscar apoio e ajuda junto à sua família. Daí a ideia de que todos da família devem trabalhar no negócio iniciado pelo pioneiro ou pioneira. E o próprio fundador começa a sonhar que sua empresa deverá se perpetuar nas mãos de seus descendentes.

Já na segunda geração podem surgir os primeiros problemas decorrentes desta situação. Por exemplo, a empresa não tem tamanho para abrigar todos os filhos ou remunerá-los de forma condizente. Conflitos entre os filhos em torno da sucessão e poder também podem surgir. Este problema poderá se agravar à medida que novas gerações ingressam  no mercado de trabalho e almejam trabalhar nos negócios da família.

Por vontade própria ou vocação, alguns filhos não querem ingressar na empresa do pai. Para muitas famílias isto é até um alívio e talvez motivo de orgulho vendo os filhos seguirem o seu próprio caminho. Mas se esquecem de pensar que um dia, queiram ou não, estes filhos serão sócios da empresa da mesma forma que  os irmãos que, eventualmente, trabalham na empresa.

Surge a questão da distribuição dos lucros. Para muitas famílias, os filhos que estão fora da empresa não devem ganhar nada ou muito pouco dos resultados pois não trabalham na empresa. Outros argumentam que os filhos que trabalham no negócio deverão receber mais do que aqueles que ganham sua vida fora da empresa. Falta a esses pais a noção do que vem a ser a remuneração do capital. Tanto os filhos que trabalham na empresa quanto aqueles que não, podem ter exatamente a mesma participação no capital da empresa e se beneficiar da distribuição dos lucros. Nada mais justo de que ambos sejam remunerados pelo capital que detém na mesma proporção.

Para os filhos que trabalham na empresa e que contribuíram para gerar os lucros,  nada mais justo que recebam bônus conforme as políticas da Empresa.

Um dia, na falta do pai, os filhos se tornarão sócios. Decisões de cunho estratégico e até tático terão que ser tomadas pelos sócios, ou seja, os irmãos. Assim sendo,  filhos que estão fora do negócio terão que participar da tomada de decisões e arcar pelas consequências de seus atos que podem ser muito bons ou ao contrário, em casos extremos colocar o negócio em perigo.

Surge daí a noção de herdeiro controlador. Estes são os filhos que não têm atividade nos negócios mas que detém ou terão  parte de seu controle societário. Para eles é muito importante que sejam educados para serem futuros controladores. Uma forma muito interessante de se fazer isso é convidá-los a participar do Conselho da empresa, mesmo como ouvintes. Aos poucos irão  se inteirando das conquistas e desafios do desenvolvimento e crescimento do negócio do qual já são ou serão sócios. Também é muito útil que os futuros controladores adquiram as noções básicas de leitura de relatórios econômico-financeiros e outros assuntos do universo de atuação da Empresa. Dessa forma poderão participar mais ativamente nas discussões relativas a seus negócios. A participação deles nos Conselhos pode ser muito rica pois trazem visões e vivências de realidades muito distintas.

À medida que as empresas crescem, o número de familiares também aumenta de uma geração para a outra. Muitos negócios familiares chegam a decidir por estas e outras razões de que a empresa será somente administrada por profissionais recrutados no mercado de trabalho. Os sócios, serão apenas os controladores do negócios, exercendo o seu papel e a responsabilidade do todo a partir de sua participação no Conselho da empresa.

Fica pois patente a necessidade de se formar os filhos para que possam, quando adultos, assumir sua função de controladores qualquer seja o tamanho do negócio.

 

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SOBRE O CEPECAF

O CEPECAF – Centro de Pesquisa e Capacitação da Empresa Familiar tem como propósito dar visibilidade a um tipo de organização de extrema importância econômica e relevância social em nível mundial: a empresa familiar.

O CEPECAF nasceu na FCAV-UNESP, campus Jaboticabal – SP, sob a coordenação geral da Profa. Dra. Lesley Carina do Lago Attadia Galli, docente e pesquisadora da instituição. Atualmente, o grupo vem ampliando sua abrangência, englobando estudantes e pesquisadores de outras universidades brasileiras e do exterior.

A presença do CEPECAF em uma plataforma digital é uma conquista muito importante na medida em que aproxima ainda mais o grupo da comunidade, por meio da articulação de diferentes mecanismos de comunicação e interação junto ao nosso público-alvo.

Certificado pelo CNPq, o CEPECAF realiza diversas de atividades de ensino, pesquisa e extensão, esperando contribuir de maneira efetiva para o desenvolvimento e sustentabilidade das empresas familiares.

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