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Você sabia que a Biologia pode explicar nossa dificuldade em poupar?

No livro “Outliers – Fora de Série” do autor Malcolm Gladwell, ele se debruça sobre alguns pontos e entre eles: O que faz, afinal, alguém se destacar no meio da multidão? Pessoas extremamente hábeis em seus ofícios, como os integrantes do Beatles e/ou o milionário Bill Gates, já nasceram predestinados ao sucesso ou se tornaram?

Habilidades inatas ou prática?

Na proposta desenvolvida pelo livro, os aparentemente “experts” de suas áreas podem até ter uma predisposição inata a função, porém, debate-se sobre o papel da prática sobre o desempenho.  A prática frequente e regular de atividades, durante um tempo relativamente longo, faz com que o indivíduo seja considerado proeminente na sua área.

Assim, o sucesso em qualquer área advém de horas de prática de trabalho. Mais especificamente, no mínimo 15.000 horas – o que equivale a, aproximadamente, 375 dias úteis de trabalho regular, com 8h de jornada, 5 dias por semana. Segundo o autor, essas horas de práticas são mais válidas ao desempenho do que o chamado “talento”.

A lógica do raciocínio desenvolvido pelo autor é: uma vez que você se dispõe a desenvolver uma atividade e nela persiste, ao longo do tempo e com o passar das semanas, você terá desenvolvido mais técnicas e conhecimentos do que alguém que nunca realizou atividade alguma ou não se dedicou a ela com a mesma persistência.

Nesse sentido, com o acúmulo de horas de experiência, associados ao desenvolvimento de contatos com outros interessados, é possível que você possa, com os anos, se tornar muito mais eficiente do que a maioria das pessoas interessadas (mas não dedicadas) à um determinado tema.

Mas… o que tudo isso tem a ver com a prática de poupar?

Biologicamente falando, o ser humano é programado para atender a necessidades imediatas tais como sono, alimentação e controle térmico. Essa satisfação de necessidades passa, também, por comportamentos considerados instintivos, como por exemplo reconhecer no rosto de uma pessoa a sua alegria, ou o salivar da boca ao se sentir o cheiro de um prato predileto.

Esses dois fatores compõem a nossa biologia e, infelizmente, podem solapar ações racionalmente planejadas.

No best seller “Sapiens: Uma Breve Historia da Humanidade”, o autor Yuval Noah Harari destaca que, ao deixar de ser nômade (a chamada “Revolução Neolítica”, ocorrida em 10.000 A.C.), o ser humano passou a depender muito mais da chamada “força de vontade” do que anteriormente.

Isso, porque até a sua sedentarização, o ser humano não tinha acesso facilitado a qualquer fonte de alimento, precisando caçar se quisesse se alimentar. Nesse sentido, quando o alimento era disponível, muito rapidamente era ingerido, para que eles pudessem continuar existindo. Reservas de alimentos eram inexistentes, sendo o comportamento imediatista de consumo estimulado.

Esse panorama mudou, porém, com a “Revolução Neolítica” em que a humanidade passou a pastorear e a cultivar, passando também a se organizar em assentamentos humanos maiores.Novas tecnologias de caça e cultivo foram desenvolvidas, além da estruturação social em aldeias que facilitava a defesa da tribo ante as ameaças.

Nesse novo contexto, já não se era necessário caçar todos os dias, ou vaguear dias a fio atrás de comida, tampouco se mudar constantemente. Dessa forma, com as novas estruturas sociais, muitas realizações humanas foram realizadas pela chamada persistência e/ou força de vontade.

Basta você considerar: nesse instante, você se sente motivado a correr, nadar ou comer exclusivamente alimentos saudáveis? É algo que realmente reflete seu desejo ou você preferiria comer gostosos pasteis e relaxar no seu sofá vendo um bom filme?

Para a adoção de hábitos saudáveis dentre os quais a prática regular de poupar dinheiro, é demandada muita persistência do indivíduo. Afinal, com dinheiro em mãos, a vontade de se consumir produtos é instantânea.

Essa vontade pode ser maior ou menor para cada indivíduo, mas ela vem. Aliás, quem nunca desejou adquirir um novo veículo, trocar de telefone celular, viajar a um lugar paradisíaco?

Só que, assim como é preciso força de vontade para acordar cedo para caminhar e persistência para o fazer pelo menos três vezes na semana, essa mesma força de vontade e persistência é importante para poupar dinheiro.

Poupar é difícil, porque, em síntese, é uma ação biologicamente não natural. Nós, humanos, até o presente momento, não evoluímos suficiente a ponto de conseguir deixar de lado nossa programação biológica. Por isso, dependemos muito da força de vontade e da persistência.

Conclusão

Temos, porém, boas notícias.  Ainda que sejamos programados para o imediatismo, não significa que não temos capacidade de mudar comportamentos.

No livro também best seller O Poder dos Hábitos, Charles Dunning afirma que alguns hábitos podem ser complexos e persistentes e que a mudança pode não ser tão rápida e fácil, mas com tempo e esforço qualquer hábito pode ser remodelado.

E ao se desenvolver o hábito de poupar, a tendência é que resultados cumulativos à ação sejam percebidos tais como se ter mais dinheiro em reserva, mais paz de espírito/tranquilidade e mais confiança para novos investimentos.

Com a percepção dos resultados, a tarefa de poupar se tornará um hábito, e uma imensa alegria. Ademais, com a continuidade da ação de poupar, existe maior probabilidade de você ter mais interesse no assunto, desenvolvendo então um grupo de conhecimentos muito maior do que os que estão ao seu redor, gerando fatores positivos que reforçam as suas intenções originais.

Por isso, sim, poupar é um sacrifício! Mas uma vez que as horas de experiência se estabeleçam, existe uma grande chance de os resultados de suas ações terem frutos positivos, gerando maior bem estar e conforto do que estava antes, reforçando ainda mais o seu comportamento poupador.

Ou seja, COMPENSA DEMAIS COMEÇAR A POUPAR e CRIAR O HÁBITO DE POUPAR.

Abraços e até logo!

 

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SOBRE O CEPECAF

O CEPECAF – Centro de Pesquisa e Capacitação da Empresa Familiar tem como propósito dar visibilidade a um tipo de organização de extrema importância econômica e relevância social em nível mundial: a empresa familiar.

O CEPECAF nasceu na FCAV-UNESP, campus Jaboticabal – SP, sob a coordenação geral da Profa. Dra. Lesley Carina do Lago Attadia Galli, docente e pesquisadora da instituição. Atualmente, o grupo vem ampliando sua abrangência, englobando estudantes e pesquisadores de outras universidades brasileiras e do exterior.

A presença do CEPECAF em uma plataforma digital é uma conquista muito importante na medida em que aproxima ainda mais o grupo da comunidade, por meio da articulação de diferentes mecanismos de comunicação e interação junto ao nosso público-alvo.

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