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Engenharia e Desenvolvimento Sustentável

Empresas modernas enfrentam constantemente grandes desafios para se manterem no mercado. Para isso é necessário que se mantenham em permanente melhoria, operando dinamicamente conforme a evolução tecnológica no seu ramo de atividade. Este crescimento, muitas vezes desordenado gera alguns problemas. Pode-se citar, como sendo um dos principais, o ambiental.

O setor industrial é um dos maiores responsáveis pela degradação ambiental, tendo em vista o fato dos processos produtivos lançarem no meio ambiente grande quantidade de resíduos na maioria das vezes sem tratamento adequado.

Um estudo de GOUVINHAS (2001) cita que uma importante fonte de vantagem competitiva para muitas organizações no mundo é a capacidade de criar projetos de produtos menos complicados, ou seja, compostos por um número pequeno de partes e de fácil montagem sem deixar de atender às expectativas do consumidor. Essa preocupação com o projeto do produto justifica-se à medida que se percebe que projetos bem pensados podem levar ao aumento da lucratividade da organização sem degradar o meio ambiente.

Existe uma abordagem para facilitar o projeto do produto chamado DFX (do inglês: Design for eXcellence) definido como uma abordagem baseada no conhecimento que visa desenvolver projetos de produtos que maximizem todas as características.

Como, algumas das variáveis incluídas na excelência do produto são sua facilidade de desmontagem e facilidade de montagem, surgem o DFD (Design for Disassembly) e DFA (Design for  Assembly) como parte da abordagem DFX. O objetivo principal dessas duas partes do DFX é revisar o projeto do produto facilitando a fabricação e montagem com o objetivo de aumentar reutilização de partes e reduzir custos. Estima-se que 50% do custo de manufatura, segundo BOOTHROYD, DEWHURST, KNIGHT (2001) está relacionado ao processo de montagem. Grandes investimentos são necessários para automatizar a montagem de produtos complexos, quando seria muitas vezes mais econômico reprojetar o produto para simplificar a montagem. Também os produtos são concebidos normalmente sem a inserção de características que os tornem “ambientalmente corretos” ao longo de seu ciclo de vida ( ALLENBY, 1999).

Sendo assim, é possível envolver todos os setores da empresa mais ativamente na contribuição ambiental através de processo de sensibilização que atinja a todos os níveis hierárquicos da empresa. Dentro das variáveis ambientais citadas na literatura, pode-se notar o que ainda não foi realizada uma avaliação do ciclo de vida do produto, ou até mesmo que não há uma preocupação com a destinação final do mesmo.

Variáveis desta natureza ainda podem ser incorporadas ao produto, identificando pontos positivos e negativos do seu ciclo de vida.

Para que um cenário seja modificado é necessário um planejamento além do próprio produto, que em alguns casos é realizado por projetistas que estejam fora dos limites da organização. Uma conduta auxilia pequenas e médias empresas a melhorarem sua performance ambiental, bem como seu produto, com economia e competência, seria a implantação de práticas ambientais a serem elaboradas de forma coletiva para o benefício comum. A adoção de pessoas especializadas em projetar produtos ajuda a empresa a se manter no mercado, com a concepção de produtos diferenciados, de qualidade e que agreguem valores ambientais. E como já se conhece, as formas atuais de concepção de produtos não são mais sustentáveis diante da realidade do planeta.

Existe um conjunto de informações ambientais por meio de considerações, regras e procedimentos encontrados na literatura, com o objetivo de orientar os projetistas no sentido de incorporá-las ao projeto do produto. Parece evidente que a consideração de variáveis ambientais ainda na fase inicial do projeto propicia uma maior eficiência no processo de concepção do produto. Assim, o projetista deve considerar requisitos ambientais durante todo o ciclo de vida do produto, pois se pode evitar que problemas advindos de uma fase do ciclo de vida sejam, simplesmente, transferidos para outras.

A partir da pesquisa foi evidenciado que a abordagem ambiental se torna cada vez mais relevante e esta tendência parece clara e, em princípio, irreversível. A questão econômica, entretanto, é ainda justificativa para opções relacionadas ao projeto voltado para o meio ambiente. Muitas vezes a redução de custos acaba por sobrepor-se a alternativas de projeto ambientalmente mais adequadas. Em contraponto, pode-se dizer que as crescentes pressões sociais, inclusive através da criação de legislação específica, acabarão por tornar a preocupação ambiental uma variável essencial ao projeto. Da mesma forma que a segurança do produto e o atendimento ao consumidor foram progressivamente considerados e hoje são critérios básicos de escolha e itens comuns a produtos que buscam excelência, espera-se que itens como não agressão ao meio ambiente e meios adequados para reciclagem já sejam corriqueiros.

Para prosseguimento da pesquisa pode-se incorporar ao projeto aspectos de natureza ambiental ainda não adotados, para a redução da degradação ambiental pela fabricação, utilização e descarte de produtos, minimizando a necessidade de sistemas de tratamento ou reaproveitamento de rejeitos na própria empresa (DFA e DFD). É possível também aplicar a avaliação do ciclo de vida aos produtos fabricados realizando um levantamento completo de cada ciclo. Uma análise quantitativa dos dados pode ser realizada, mensurando a quantidade de matéria-prima e insumos utilizados na fábrica e dispensada pelo processo produtivo. Seria de grande contribuição, uma análise das empresas de uma região, podendo-se sugerir aspectos relacionados à Ecologia Industrial que visam reunir esforços na busca de benefícios coletivos, melhorando a performance ambiental num âmbito mais abrangente.

 

Referências:

ALLENBY, B. R. (1999). Industrial ecology and design for environment. In: ECODESIGN 99: FIRST INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON  ENVIRONMENTALLY CONSCIUS DESIGN AND INVERSE MANUFACTURING, 1., 1999, Tokyo. Proceedings… Tokyo: IEEE Computer society, Feb. 1999. p. 2-3.

BOOTHROYD, DEWHURST, KNIGHT (2001). Product design for manufacture and assembly. Marcel Dekker Inc.

GOUVINHAS, R. P. (2001) Avaliação do ciclo de vida – Preocupações ambientais no desenvolvimento de produtos. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

 

 

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SOBRE O CEPECAF

O CEPECAF – Centro de Pesquisa e Capacitação da Empresa Familiar tem como propósito dar visibilidade a um tipo de organização de extrema importância econômica e relevância social em nível mundial: a empresa familiar.

O CEPECAF nasceu na FCAV-UNESP, campus Jaboticabal – SP, sob a coordenação geral da Profa. Dra. Lesley Carina do Lago Attadia Galli, docente e pesquisadora da instituição. Atualmente, o grupo vem ampliando sua abrangência, englobando estudantes e pesquisadores de outras universidades brasileiras e do exterior.

A presença do CEPECAF em uma plataforma digital é uma conquista muito importante na medida em que aproxima ainda mais o grupo da comunidade, por meio da articulação de diferentes mecanismos de comunicação e interação junto ao nosso público-alvo.

Certificado pelo CNPq, o CEPECAF realiza diversas de atividades de ensino, pesquisa e extensão, esperando contribuir de maneira efetiva para o desenvolvimento e sustentabilidade das empresas familiares.

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