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Os desafios da atual escassez de matéria-prima na cadeia de suprimentos para as empresas familiares

A pandemia de Covid-19 que assola o mundo desde o início de 2020 trouxe diversos impactos para as empresas, alguns bastante significativos. Um dos problemas atuais, que ocorre no momento em que a demanda por produtos e serviços começa a crescer comparada aos índices do ano anterior, é a escassez de matéria-prima para as cadeias de suprimentos de diversos setores, desde a construção civil até microempresários de bares e lanchonetes. Essa falta de insumos é particularmente preocupante para as cadeias de suprimentos que contam com empresas familiares, uma vez que os desafios para suplantar essa escassez são mais complexos nesses negócios.

Uma cadeia de suprimentos pode ser definida como um conjunto de empresas que são responsáveis pela compra, produção e entrega de um determinado produto ou serviço ao cliente final. Para atingir esse objetivo, é necessário um relacionamento estreito e colaborativo com os parceiros da cadeia, sejam fornecedores, distribuidores ou clientes, também a utilização de recursos tecnológicos nos processos de recebimento, fabricação e distribuição, e a constante busca pela integração de informações no intuito de se antecipar as variações do ambiente, como alterações de demanda ou interrupções de fornecimento.

Nesse contexto, as empresas que compõem as cadeias de suprimentos precisam que a matéria-prima siga seu fluxo desde o primeiro fornecedor até o consumidor final, passando por todos os processos de transformação necessários à geração de valor. O que ocorre atualmente, em diversos elos dessas cadeias, é a falta de matéria-prima gerada, inicialmente, pelas interrupções de produção resultantes das medidas de restrição adotadas por diversos países no ano de 2020. O fechamento temporário de fábricas e lojas de serviços fez com que os estoques se desregulassem, e mesmo pedidos já fechados tiveram que ser postergados. Após a retomada de funcionamento dessas empresas, em alguns casos de forma parcial e em outros de forma total, havia uma demanda reprimida que superava as capacidades produtivas das cadeias de suprimentos. Soma-se a esses fatores a alta do dólar no Brasil, uma vez que diversos insumos são cotados em moeda americana, e criou-se o cenário para a falta de matéria-prima que, obrigatoriamente, se reflete no preço do produto ou serviço oferecido ao cliente.

Embora aos poucos as cadeias de suprimentos estejam procurando corrigir as imperfeições e normalizar essa nova situação, diversas indústrias ainda demonstram os resultados desses problemas. O setor de construção civil, por exemplo, observa a falta de aço para seus empreendimentos. Já algumas montadoras de veículos têm optado por dar férias coletivas a seus funcionários devido a falta de peças e acessórios, e o prazo de entrega de um carro zero quilômetro pode ultrapassar 120 dias. Até mesmo bares, restaurante e lanchonetes têm sofrido com a escassez de embalagens, já que a demanda acumulada ampliou o consumo de papel e papelão que é utilizado desde o acondicionamento de eletrodomésticos até embalagens de delivery, que tem sido o principal meio de funcionamento desses estabelecimentos nos tempos de pandemia.

As empresas familiares parecem enfrentar maiores desafios para suplantar essa falta de matéria-prima em suas cadeias de suprimentos, independente do negócio em que atuam. Isso porque esses negócios contam com dificuldades intrínsecas, como grau de profissionalização, geração de inovação e adaptação às tecnologias existentes. Em relação à profissionalização, compreende-se que ela pode levar as empresas familiares a lidar melhor com um ambiente complexo. Além disso, permite que essas organizações desenvolvam e implementem estratégias que garantam sua sobrevivência. Quanto maior o grau de profissionalização dos envolvidos no negócio, mais esses benefícios são atingidos. Já a geração de inovação é outro importante desafio para a empresa familiar, uma vez que ela está ligada ao grau de profissionalização e ao amadurecimento dos processos existentes. A inovação nessas organizações permite lidar com cenários de incerteza através de alterações nos processos de recebimento, produção e entrega, readequação de estruturas gerenciais para melhor produtividade e investimento em novas tecnologias. Nesse ponto reside o terceiro desafio mencionado, que é justamente a adequação às tecnologias. Embora essa barreira não seja exclusiva de empresas familiares, é certo que se adaptar a novos sistemas de informação e dispositivos de hardware pode se tornar mais desafiador em um contexto de gestão em família com baixo grau de profissionalização.

Para fazer frente à atual escassez de recursos, portanto, é recomendável que as empresas familiares invistam, inicialmente, em seu grau de profissionalização e inovação. Isso pode auxiliar no planejamento e redesenho de processos internos de modo que eles se tornem mais efetivos, o que vai proporcionar menor impacto no preço final do produto ou serviço oferecido. Além disso, a profissionalização, especificamente, poderá ajudar no estreitamento do relacionamento com os demais membros da cadeia de suprimentos, condição necessária para a colaboração com fornecedores, por exemplo. Quando há um relacionamento mais próximo com fornecedores de matéria-prima, mesmo que os volumes não sejam grandes, torna-se possível melhorar as condições de negociação e prever os movimentos de parada e retomada do mercado. Em seguida sugere-se um maior esforço em relação à adaptação às tecnologias existentes. A utilização de recursos tecnológicos, tanto nos processos produtivos quanto na gestão do negócio, pode proporcionar um fluxo de informações na cadeia de suprimentos envolvendo todas as empresas que atendem o consumidor final, que irá servir para tornar os processos mais responsivos as flutuações de demanda e variações de preço. Por fim, sugere-se que as empresas familiares planejem a reestruturação de suas cadeias de suprimentos, ou seja, que repensem a estrutura atual e as possibilidades existentes de fornecimento e distribuição de produtos e serviços de modo a otimizar os processos visando driblar a falta momentânea de matéria-prima. Um exemplo é a busca de fornecedores alternativos para o suprimento de embalagens, que podem ser cooperativas locais de reciclagem ou de projetos sustentáveis.

É certo que os desafios que se impõem nesse momento de pandemia para as empresas familiares, incluindo aqueles relacionados à escassez de matéria-prima, são complexos e demandam um alto grau de resiliência dos gestores. Porém, também podem ser oportunidades para melhorias nessas organizações, como aumento do grau de profissionalização e inovação, aperfeiçoamento da adaptação as tecnologias e reestruturação de cadeias de suprimentos, que inegavelmente se tornarão vantagens competitivas quando os mercados se normalizarem.

 

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O CEPECAF – Centro de Pesquisa e Capacitação da Empresa Familiar tem como propósito dar visibilidade a um tipo de organização de extrema importância econômica e relevância social em nível mundial: a empresa familiar.

O CEPECAF nasceu na FCAV-UNESP, campus Jaboticabal – SP, sob a coordenação geral da Profa. Dra. Lesley Carina do Lago Attadia Galli, docente e pesquisadora da instituição. Atualmente, o grupo vem ampliando sua abrangência, englobando estudantes e pesquisadores de outras universidades brasileiras e do exterior.

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